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Tarifaço dos EUA: O que muda para quem compra ou vende empresas no Brasil

Com o aumento das tarifas pelo governo norte-americano, há risco ou oportunidade para o mercado de M&A no Brasil?
15/08/2025

 

A partir de 6 de agosto, entrou em vigor a nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump. A medida, que combina um adicional de 40% às tarifas já existentes de 10%, tem potencial para provocar um corte drástico nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano, nosso segundo principal destino comercial, atrás apenas da China.

Embora uma lista de quase 700 exceções alivie o impacto para alguns segmentos, setores estratégicos como carne, café, máquinas e pescados devem sentir de imediato os efeitos da perda de competitividade no mercado americano. Isso porque, além de ser um grande comprador de commodities brasileiras, os EUA também absorvem uma parcela relevante dos produtos de maior valor agregado fabricados no país.

O impacto vai além das relações comerciais diretas. Para investidores e empresários brasileiros, entender esse cenário é essencial, especialmente para quem está envolvido em operações de fusões e aquisições (M&A) ou pensa em vender ou comprar uma empresa nos próximos meses.

Impactos para empresas e investidores

Esse “tarifaço” não afeta apenas as estatísticas de comércio exterior — ele mexe no tabuleiro global de investimentos. Com a nova política, empresas brasileiras exportadoras para os EUA tendem a sofrer redução de margens e queda de receitas no curto prazo. 

Ao mesmo tempo, setores menos expostos às exportações ou voltados ao mercado interno podem ganhar espaço e atratividade.

Do ponto de vista de investidores e compradores internacionais, o cenário se torna mais seletivo: empresas altamente dependentes das exportações para os EUA podem sofrer desvalorização, enquanto negócios com base tecnológica, diferenciais de mercado e baixo risco cambial podem se destacar.

Resumindo, a situação fica basicamente assim:

Exportadores para os EUA: podem perder competitividade devido ao aumento do custo de entrada no mercado americano. 

Indústrias que competem com produtos americanos no Brasil: podem ganhar espaço, já que o produto importado tende a ficar mais caro. 

Cadeias de suprimento globais: podem se reorganizar, abrindo espaço para fornecedores brasileiros atenderem mercados antes dominados por empresas dos EUA ou seus parceiros comerciais.

O papel do Valuation neste cenário

Em momentos de instabilidade e mudança de cenário econômico internacional, o valuation torna-se ainda mais crucial. Ele ajuda a responder perguntas estratégicas:

  • Qual é o impacto real das novas tarifas sobre o valor da minha empresa?
     

  • Quais ajustes operacionais ou estratégicos podem proteger e até ampliar esse valor?
     

  • Como comunicar aos potenciais compradores ou investidores que a empresa está preparada para se adaptar ao novo contexto?
     

Empresas que se antecipam e realizam um diagnóstico preciso de valor conseguem não só minimizar riscos, mas também identificar oportunidades. Por exemplo, companhias que enxergarem mercados alternativos ou diversificarem sua base de clientes podem preservar margens e manter valuations competitivos.

Efeitos nas negociações de compra e venda

No mercado de fusões e aquisições (M&A), mudanças como essa nos EUA costumam gerar dois efeitos principais:

  1. Aceleração de negociações – empresários que já estavam considerando vender a empresa podem optar por concluir o negócio antes que os impactos negativos se consolidem nos números.
     

  2. Ajustes de preço – compradores tendem a recalcular ofertas com base em projeções de receita e risco revisadas.
     

Para vendedores, isso significa a necessidade de preparar a empresa para mostrar solidez, mesmo em um cenário de tarifas elevadas. Para compradores, pode representar a chance de adquirir ativos estratégicos por valores mais competitivos.

Oportunidades estratégicas

Para quem está pensando em comprar uma empresa:

  • Observar setores beneficiados pela redistribuição de cadeias de suprimento.

  • Identificar empresas com capacidade de exportar para novos destinos.
     

Para quem está pensando em vender:

  • Reforçar no processo de valuation a resiliência da empresa a mudanças externas.

  • Demonstrar a capacidade de adaptação e diversificação de mercados.
     

Conclusão: Estratégia acima de tudo

O “tarifaço” dos EUA é um lembrete de que o mercado global é dinâmico e, muitas vezes, imprevisível. Empresários e investidores que se baseiam apenas no cenário atual para tomar decisões podem ser surpreendidos. Já aqueles que incorporam valuation estratégico e planejamento de longo prazo às suas decisões têm mais chances de navegar bem mesmo em águas turbulentas.

Na SJ Soluções, ajudamos empresas a entenderem e se adaptarem a cenários como este, oferecendo análises precisas e estratégicas para proteger e aumentar o valor do negócio — no Brasil ou no exterior.

Converse com os consultores da SJ Soluções para entender como essas mudanças tarifárias podem impactar diretamente o valor e a atratividade do seu negócio.

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Ou continue aprendendo em nosso blog: sjsolucoes.com.br/artigos

 

Por RUBENS NEUBERN DE SOUZA JUNIOR - Consultor de empresas e pessoas, sócio da SJ Soluções Consultoria

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